Entre os séculos XI e XIV, a Idade Média viveu um período de impulsionamento da cavalaria pesada em decorrerência das guerras travadas entre os reinos. Munidos de lança, espada, elmo (capacete com viseira), escudo, e cota de malha (capuz), os cavaleiros representavam a nobreza social.

Os nobres preferiam atividades que estivessem relacionadas com o preparo e treinamento para a guerra.

Originalmente, sob o nome de torneios, esses treinamentos imitavam um combate real, consistindo no enfrentamento violento entre dois grupos de cavaleiros rivais. Os terrenos usados eram amplos e demarcados com linhas divisórias.

Justa Medieval

Com o passar dos anos, as lutas foram substituídas por jogos que atendessem, simultaneamente, as funções de divertimento e treino militar. A Justa era um dos exemplos de modalidades nos torneios. Nesse caso, enfrentava-se o oponente utilizando lanças, espadas ou outras armas que, cuidadosamente, eram modificadas com o intuito de não ferir o cavaleiro. A competição era construída da seguinte forma: dois nobres, cada um procurando obter vantagem sobre o outro: derrubando–o do cavalo, neutralizando fisicamente ou simplesmente atingindo pontos estratégicos do corpo com a lança.

O duelo começava com o cavaleiro cavalgando em direção ao adversário em uma arena de 300 metros, atingindo uma velocidade média de 20 quilômetros por hora. Em qualquer circunstância, ao derrubar o oponente, o vencedor deveria provar que a queda foi provocada pela lança, e não pela falta de equilíbrio. Eles analisavam a questão verificando se a lança havia quebrado; quanto mais próxima fosse do punho, mais pontos se ganhava.

Os cavalos eram especialmente treinados para o combate. Sua cabeça e flancos eram protegidos por placas metálicas; porém, mesmo com todo o cuidado, o animal sofria o risco de ser atingido. Caso fosse, o responsável pelo golpe era desclassificado. Se o cavalo se esquivasse da luta, ou simplesmente tocasse a cerca que dividia a arena, seu proprietário era punido. Caso atingisse a cela do adversário, o cavaleiro perdia pontos.

O equipamento necessário para uma Justa era extremamente pesado, pois a armadura precisava ser tão reforçada que chegava a pesar 35 quilos. A proteção era bastante eficaz, mas no interior da armadura era muito quente e fazia com que os cavaleiros desmaiassem por exaustão nos combates mais longos.

As disputas eram controladas e supervisionadas por juízes e arautos, convenientemente dispostos na arena ou nos palanques e tribunas (onde se encontravam os espectadores, incluindo nobres e damas).

O público era constantemente atraído por várias feiras que promoviam os torneios. Familiares, pajens, tratadores de cavalos, escudeiros e armeiros eram pessoas que estavam sempre presentes para prestar qualquer tipo de auxílio aos cavaleiros.

Por volta do século XIV, as festas, bailes, banquetes e outras cerimônias deram um toque de sofisticação às Justas. Essas ocasiões permitiam que os jovens cavaleiros pudessem encontrar damas aristocratas, selando alianças de casamento entre poderosas famílias feudais.

Os torneios perderam popularidade a partir da disseminação do uso da pólvora no Ocidente. Com o surgimento das armas de fogo, a maneira de lutar sofreu modificações, sendo as pesadas armaduras substituídas pelo avanço da tecnologia-militar.